A tokenização de recebíveis é, provavelmente, a transformação mais silenciosa e ao mesmo tempo mais profunda em curso no crédito brasileiro. Enquanto o Pix dominou a conversa sobre pagamentos, uma mudança estrutural avança nos bastidores: a possibilidade de transformar recebíveis, duplicatas e direitos creditórios em ativos digitais verificáveis em tempo real. É uma evolução que muda a forma como as empresas acessam capital, e ela já começou.

O que é a tokenização de recebíveis?
Tokenizar um ativo significa criar uma representação digital dele, com registro padronizado e rastreável. Aplicada aos recebíveis, a ideia é dar a uma duplicata, a um contrato ou a um direito creditório uma versão digital que pode circular, ser verificada e ser usada como garantia de forma muito mais eficiente do que no modelo atual.
O ganho prático é grande. Recebíveis que hoje são difíceis de registrar ou avaliar, como carteiras pulverizadas e direitos creditórios de nichos específicos, passam a ser verificáveis em tempo real. Isso reduz fricção, encurta processos e amplia as possibilidades de estruturar operações de crédito a partir desses ativos.
O que mudou no Drex e por que isso importa?
O Drex nasceu em 2020 como estudo do Banco Central para uma moeda digital, o Real Digital, e passou por sucessivas fases de piloto a partir de 2023, envolvendo consórcios de instituições financeiras e fintechs. Ao longo do caminho, porém, os testes esbarraram em desafios de privacidade, sigilo bancário e compatibilidade com a LGPD, além de custos elevados de infraestrutura.
Diante disso, ao final de 2025 o Banco Central reorientou o projeto. O foco deixou de ser uma moeda digital distribuída ao público e passou a ser uma infraestrutura para tokenização de ativos e para a facilitação do crédito entre instituições. A própria fase mais recente do piloto priorizou justamente o uso de ativos tokenizados como garantia em operações de crédito.
Vale entender o desenho: o modelo é de dois níveis. O Banco Central fornece a base digital para as instituições autorizadas, e é por meio delas que empresas e pessoas acessam os serviços. Ou seja, o Drex não é uma moeda entregue diretamente ao público, e sim uma camada de liquidação programável por trás do sistema financeiro.
Essa mudança de rota não enfraquece a tendência. Pelo contrário: deixa claro que o valor central da iniciativa está exatamente onde mais interessa a quem trabalha com recebíveis, na arquitetura do crédito e na tokenização de ativos.
Como a convergência entre Drex, tokenização e Open Finance muda o crédito
O ponto mais relevante é que essas frentes não caminham isoladas. O Banco Central tem tratado tokenização, Open Finance e a infraestrutura do Drex como peças de um mesmo ecossistema. Da combinação delas surgem três mudanças concretas para o mercado de crédito.
Garantias mais líquidas
Ativos que hoje não servem como colateral por dificuldade de registro ou avaliação passam a ser tokenizáveis e verificáveis. Com um registro padronizado de ônus e garantias, fica mais simples usar recebíveis como lastro de operações, com menos etapas manuais e menor risco operacional.
Precificação de risco mais granular
A união entre dados de Open Finance e informações dos ativos tokenizados permite modelos de análise que vão além do balanço contábil tradicional. Fluxo de caixa em tempo real e histórico de transações entram na conta, tornando a avaliação de crédito mais precisa e individualizada.
Liquidação mais ágil
Com uma base programável de liquidação, operações que envolvem garantia, repasse e quitação tendem a ficar mais rápidas e com menos fricção entre sistemas. Isso abre espaço para produtos de crédito mais flexíveis e ajustados à realidade de cada operação.
Enquanto o setor público redesenha sua infraestrutura, o mercado privado de tokenização também ganhou tração no Brasil, com volume crescente de recebíveis, cotas de fundos e títulos de dívida sendo tokenizados. A direção, portanto, está dada, mesmo que o calendário ainda esteja sendo construído.
O que isso muda para a sua empresa
Para quem depende de recebíveis para girar a operação, três movimentos merecem atenção desde já:
- Mais acesso a crédito. Recebíveis que antes ficavam de fora das garantias passam a ser utilizáveis, ampliando as alternativas de capital de giro.
- Processos mais rápidos. A verificação em tempo real tende a reduzir o tempo entre a solicitação e a liberação de uma operação.
- Análise mais justa. Modelos de risco mais granulares permitem avaliar a empresa pelo que ela realmente é, e não apenas por uma fotografia do balanço.
Entender essa transformação agora é o que permite chegar na frente quando ela se consolidar. Não se trata de adotar tecnologia por moda, e sim de compreender como o acesso ao crédito vai funcionar nos próximos anos.
A tecnologia avança, a leitura estratégica continua humana
No Grupo Investhor, acompanhamos de perto essa evolução porque ela toca diretamente o nosso território de origem: o mercado de recebíveis, onde atuamos há mais de 30 anos. Nosso posicionamento sempre uniu tradição e inovação digital, e a tokenização é a próxima fronteira dessa combinação.
Há, porém, um ponto que a tecnologia não substitui. Tokenizar um recebível torna o ativo mais transparente e mais líquido, mas continua sendo necessário interpretar cada operação, entender o contexto do negócio e estruturar a solução certa. É aí que entra a expertise de quem construiu modelos próprios de análise ao longo de décadas. A infraestrutura muda, a leitura estratégica de cada caso segue sendo humana e consultiva.
Se a sua empresa quer entender como antecipar recebíveis hoje e se posicionar para o crédito do futuro, podemos ajudar nessa conversa.
Fale com um especialista do Grupo Investhor.
O Drex mudou de rota, mas a tokenização de recebíveis seguiu firme como uma das transformações mais importantes do sistema financeiro brasileiro. Garantias mais líquidas, análise de risco mais precisa e liquidação mais ágil apontam para um crédito mais eficiente e acessível. O futuro do crédito não é uma promessa distante, ele já está sendo construído, e quem trabalha com recebíveis tem tudo para sair na frente.
Perguntas frequentes sobre tokenização de recebíveis
O que é tokenização de recebíveis? É a criação de uma representação digital de um recebível, duplicata ou direito creditório, com registro padronizado e verificável em tempo real, o que facilita seu uso como garantia em operações de crédito.
O Drex ainda vai existir? O Banco Central reorientou o projeto ao final de 2025. Em vez de uma moeda digital ao público, o foco passou a ser uma infraestrutura para tokenização de ativos e facilitação do crédito entre instituições, com cronograma e arquitetura ainda em definição.
Qual a relação entre Open Finance e tokenização? O Open Finance fornece dados abertos que, combinados com informações dos ativos tokenizados, permitem modelos de análise de crédito mais precisos, que vão além do balanço contábil tradicional.
Como isso afeta quem antecipa recebíveis? A tendência é de mais acesso a crédito, processos mais rápidos e análise de risco mais individualizada, ampliando as alternativas de capital de giro para empresas que vivem de fluxo de recebíveis.

